Previdência privada: imprescindível para seu planejamento financeiro agosto 20, 2018

Discussões acerca de reformas nas regras da previdência existem há muitos anos, tendo ocorrido pelo menos seis desde a Constituição de 1988. Historicamente, essas reformas acabam limitando a obtenção de benefícios ao longo de décadas, com tetos cada vez menores. Nesse contexto, a previdência privada surge como um dever de casa básico para aqueles que não querem depender do Estado para manter o padrão de vida desejado. Essa necessidade se dá pela perda de valor real dos benefícios conferidos pelo INSS, por meio dos hábitos de consumo das famílias que acabam não tendo a cobertura financeira somente pelos regimes de previdência públicos.

Distante do equilíbrio atuarial, o déficit da previdência social pode ser compreendido pela simples relação entre contribuintes e beneficiários. Em 1940, essa relação era de 31 contribuintes para cada aposentado e pensionista do sistema, já em 1997 essa relação passou a ser de apenas 1,7 contribuinte para cada beneficiário. Hoje esse número está ainda menor e tende a piorar ao longo das próximas décadas na medida que temos uma população idosa cada vez maior e uma taxa de fecundidade em declínio, consequência principalmente de uma mulher mais atuante no mercado de trabalho. Isso faz com que cada vez menos jovens contribuam nesse sistema que já é deveras deficitário.

Portanto, a previdência complementar torna-se imprescindível como componente de um planejamento financeiro de longo prazo, ainda mais para uma população em que apenas 22% dos brasileiros planeja sua aposentadoria, segundo pesquisa encomendada no ano passado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) ao Datafolha.

No nosso dia a dia assessorando clientes dos mais diversos perfis, quando identificamos que o investimento via previdência privada faz sentido para vários deles, estes geralmente torcem o nariz e trazem consigo a experiência negativa que tiveram com um mau plano de previdência. Essas pessoas costumam negar de prontidão a alternativa com a mais famosa falácia de todas: “previdência privada não rende nada”. Será que realmente não rende? Vejamos.

Após definir se a melhor modalidade para você de um plano de previdência será via PGBL ou VGBL, se utilizará a tabela regressiva ou progressiva de IR, o mais importante é saber em que fundo está sendo aplicado o dinheiro que você acumula na sua previdência. Salvo raras exceções, os fundos de previdência dos grandes bancos perdem para o CDI em todos os horizontes de tempo analisados – 12, 24, 36 meses e daí por diante é só ladeira abaixo. Muitas vezes esses fundos geridos pelos próprios bancos têm uma rentabilidade inferior à Poupança quando descontamos o imposto de renda que será cobrado seja do montante todo (PGBL) ou apenas sobre os rendimentos (VGBL). É por isso que ouvimos todos os dias que “previdência não rende nada”. Não é o produto que não rende, é o fundo no qual está sendo aplicado o seu dinheiro. Peguei exemplos de fundos de previdência que só investem em produtos de renda fixa dos cinco grandes bancos do País para compararmos a rentabilidade desses produtos bancários com um que nossos clientes costumam investir conosco, também de renda fixa.


No exemplo acima em que destaco quantos % do CDI esses fundos têm rendido nos últimos anos, à primeira vista a diferença não parece ser lá grande coisa entre as rentabilidades. 85% do CDI, 90% do CDI, 103% do CDI – isso às vezes pode não te dizer muita coisa. De 2014 para meados de 2018, porém, já conseguimos visualizar que enquanto o pior fundo dessa lista rendeu no acumulado 53%, o da XP rendeu 65%.

O motivo para essa discrepância geralmente é que esses fundos de banco costumam ter uma combinação desastrosa para qualquer fundo, sobretudo os de renda fixa: uma alta taxa de administração aliada com gestão medíocre. Gerir bem seu patrimônio não é rentável para o banco porque a margem é muito baixa quando comparado ao que faz os bancos lucrarem de verdade, isto é, emprestar dinheiro cobrando juros altos. Portanto, ele pouco prioriza investir em uma equipe de ponta e dar liberdade para ela rentabilizar bem seus investimentos.

E projetando os próximos 10, 20, 30 anos? Quanto essa diferença de 85% do CDI para 103% do CDI poderia impactar no acúmulo de patrimônio seu e da sua família? E para uma rentabilidade média de 120% do CDI numa alocação um pouco mais diversificada? Na simulação abaixo podemos ter uma noção da diferença de rentabilidade, o quanto milhares de pessoas deixam de ganhar investindo por meio dos grandes bancos.

No caso acima, considerei um aporte inicial de R$ 50 mil e aplicações mensais de R$ 2.000,00 ao longo de vários anos, que é uma situação comum de muitos clientes que nos procuram no nosso escritório. A depender de quando o investidor solicite o resgate das suas aplicações, a alíquota de IR que incidirá sobre seu capital será o suficiente para tornar a rentabilidade dos fundos de previdência bancários pior do que a da Poupança.

Sabendo que essa é a realidade da maior parte das pessoas que nos procura para analisarmos como andam seus investimentos, incluí na tabela acima a rentabilidade da Poupança, que hoje corresponde a cerca de 70% do CDI. Embora a caderneta de poupança renda historicamente na faixa de 60% do CDI, vou dar uma colher de chá para ela e deixar 70% mesmo.

Somando o patrimônio destes cinco fundos dos grandes bancos que utilizei para demonstrar o quão ruim são seus rendimentos ao longo do tempo, temos um montante de R$ 74,5 bilhões mal alocados. Imagine quantas milhares de pessoas estão “investindo” apenas nestes cinco fundos, que nem são os maiores da indústria, diga-se de passagem. Enfim, a diferença entre aplicar bem ou mal seu dinheiro pode ser deixar na banca (ou no banco, se me permite a piada) um apartamento de frente pro mar aqui em Aracaju.

Agora eu te pergunto: você sabe quanto está rendendo o seu fundo de previdência? Qual é a taxa de administração dele? Será que seu plano ainda cobra taxa de carregamento – algo a ser abominado em pleno ano de 2018? Caso não saiba responder a alguma dessas perguntas fique tranquilo. Fazemos um estudo completo do seu plano atual e podemos solicitar a portabilidade da sua previdência que está no banco para cá, sem ter que resgatar a aplicação e pagar imposto de renda. É como mudar de operadora de celular: rápido, simples e você não paga
nada por isso.

Até a próxima!

Clinton Brito – Assessor de Investimentos

Administrador
Wert Investimentos