Reflexões sobre a Crise do Coronavírus março 27, 2020

Estamos vivenciando a maior crise dos últimos tempos. No geral, as outras eram por problemas econômicos, financeiros, bancários, geo-políticos e de confiança. Esta é uma de saúde que, a partir de um vírus, surpreendeu as principais economias do planeta e, consequentemente, o mercado financeiro como também a capacidade produtiva dos países, afinal, as pessoas estão passando por um processo de isolamento em suas residências.

Muitas das crises, a exemplo da ocorrida em 2008, começou primeiro nas bolsas e, aos poucos, depois de alguns meses, atingiu em cheio a economia real. A atual atinge, ao mesmo tempo, o mercado financeiro e a atividade produtiva. Estamos vendo empresários, principalmente pequenos e médios, extremamente preocupados em manter seus negócios e, consequentemente, o emprego dos seus funcionários. As grandes empresas, por enquanto, têm uma maior capacidade de caixa e o acesso ao crédito de uma maneira mais rápida e barata.

A pandemia do Coronavírus, mais do que uma crise de saúde/financeira, podemos dizer que é um problema de logística, afinal, se tivéssemos capacidade de acomodação em hospitais, mais médicos e profissionais de saúde, capacidade de produzir materiais e equipamentos de UTI, a trabalhar de uma maneira eficaz o isolamento das pessoas, provavelmente poderíamos conter essa doença de uma melhor forma, achatando mais rapidamente a curva de casos do vírus.

Além disso, estamos observando uma enxurrada de dinheiro na economia através dos bancos centrais e de governos dos países mais ricos e desenvolvidos com intuito de melhorar a liquidez e vida das pessoas durante esse período de quarentena. Precisamos também ver ações mais rápidas e eficazes do governo federal, posto que pessoas autônomas como pedreiros, manicures, motoristas de aplicativos , entre outros, terão uma queda abrupta em suas rendas. Mesmo sendo um governo liberal na economia, em momentos de fortes crises como essa, temos que recorrer à teoria Keynesiana, ou seja, o estado tem que agir e gastar, assim como foi em 2008 e logo após a Segunda Guerra.

Por fim, em tempos de forte contração e depressão econômica, temos que nos adaptar e tentar soluções da melhor maneira possível. Empresas têm que repensar seu modelo de gestão de caixa, as pessoas ( ao investir) , principalmente em renda variável, têm que entender cada vez mais os riscos, procurar sempre a diversificação e possuírem sempre liquidez para aproveitar oportunidades. O estado deve rever urgentemente suas ações no âmbito da saúde, já que, em momentos como o atual, vimos o quão insignificantes somos e mesmo tendo todo dinheiro do mundo, num sistema de saúde colapsado, a pessoa é apenas um mero número estatístico.

Lucas Iglesias
Sócio-Fundador, Wert Investimentos

Wert Educação
Wert Investimentos